Em Uig pusemos despertador. Faltava-nos ainda metade da ilha para ver antes de apanharmos o ferry de volta e como boas turistas tugas que somos, queríamos ir a todo o lado. Por isso pusemos o despertador e saímos cedo. Como aquelas pessoas que saem da pousada para caminhar logo de manhãzinha. A primeira paragem foi o castelo de dunvegan. Estava fechado. Pagava-se. Tinha tanta vegetação à volta que não dava sequer para ver a torre. Nós fomos espertas e demos a volta. Andamos a aprender que com paciência e coragem para nos enfiarmos em caminhos minúsculos conseguimos contornar as entradas e ver os castelos, sem pagar. E foi isso que fizemos. E ainda tivemos o bónus de ver o castelo do “loch”, com a àgua à volta, coisa que nunca teríamos conseguido se pagássemos e entrássemos como um turista normal.
Seguimos em busca de Nest Point… sim, o do farol invisível. Como não queremos falar sobre o assunto, vamos apenas recordar os caminhos que nos levaram até lá. São caminhos onde saímos do carro e não vemos mais ninguém à volta. Onde em cruzamentos minúsculos temos que pedir ao carro que aí vem para nos ajudar porque literalmente estamos em estradas que não aparecem no mapa. Onde andamos aos altos e aos baixos, para este e para oeste, sempre à espera de encontrar o mar a seguir à próxima curva, mas sem nunca o conseguir, embrenhando-nos cada vez mais no emaranhado de trilhos. Saberemos voltar?
Antes do almoço seguimos para a nossa primeira viagem por águas escoceses. Em Ferry’s velhos, grandes, com muito espaço para carros, e onde podemos sentar-nos em bancos de ferro enferrujados no cimo do barco. Está vento nas highlands.
De regresso ao continente deixámos o mundo dos castelos encantados e entrámos no mundo dos pequenos feiticeiros. Chovia, mas as viajantes têm impermeáveis e subiram para ver o famoso viaduto de Glenfinnan, sim, aquele em que passa o Hogwarts Express, o famoso comboio que transporta o Harry, o Ron e a Hermione, de uma plataforma invisível em King’s Cross para a escola de feitiçaria mais conhecida do mundo. E a subida compensou, porque as viajantes viram mesmo o comboio. E se nós vimos o comboio, e se sabemos quem transporta, e para onde vai, é porque tudo é real certo?
As viajantes vão estar atentas à presença d’ Aquele-Cujo-Nome-Não-Deve-Ser-Pronunciado.
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