Não é a maior cidade, mas é a capital. Chegámos a Edimburgo, ou como os escoceses lhe chamam, Dùn Èideann. Voltámos a ver ambulâncias e polícias na rua, passeios só com grandes lojas e McDonald’s, sinais verdes e vermelhos que nos dizem quando podemos ou não atravessar a estrada e grandes autocarros de dois andares. Muitos autocarros. A pousada fica mesmo no início da Princes Street, no West End, e conseguimos ir a pé para todos os lados que queremos conhecer. Na primeira manhã chove, chove muito, e nós pensamos que sim, isto é o verão deles e que pelo menos uma das viajantes nunca conseguiu andar de manguinha curta na rua. À hora do almoço a chuva pára e é tempo de passear. De andar. A Royal Mile.
Vamos em direcção ao castelo, que se ergue literalmente no meio de um monte que fica no meio da cidade. Divide a “old town” , mais medieval e primitiva, com ruas mais estreitinhas, da “new town”, a das grandes avenidas e construções iluministas, e a sua história está ligada a inúmeras guerras sangrentas, primeiro ligadas à independência do país, e depois as muitas guerras civis religiosas que por aqui existiram. Na entrada ainda estavam montadas as bancadas da famosa “Edinburgh Military Tattoo” e as viajantes lamentaram por não terem cá estado em Agosto para o famoso festival.
Percorremos a famosa Royal Mile, que se é famosa pela sua história e ligação à cidade, hoje em dia é sobretudo uma milha de lojas de souvenirs e atracções turísticas amontoadas umas em cima de outras. Outros viajantes pedem-nos indicações para as famosas Tours de fantasmas e bruxaria, as quais surpreendentemente conseguimos dar, mas depois de percorrida uma vez não apetece muito voltar à Royal Mile. É demasiado turística e povoada.
Mas aos jardins apetece voltar. Ainda mais se existir alguém a tocar gaita-de-foles num dos seus cantos, que dá para ser ouvida em todos os outros cantos. Os jardins solarengos serão sempre jardins solarengos, com bancos, com verde, com luz, com sítios onde nos podemos sentar na relva e deitarmo-nos de barriga para o sol. As viajantes gostam de cidades com jardins.
Jo & Su Around the World
sábado, 11 de setembro de 2010
A Sílvia é boa mãe
- Porque nos deixa comer pringles muitos dias seguidos
- Porque nos compra gomas
- Porque tem o carro sempre abastecido de “capri-sun’s”
- Porque quer lá saber quantos chocolates comemos por dia
- Porque não se chateia por sermos desarrumadas
- Porque podemos comer bolachas de manteiga escocesas até rebentar
- Porque nos compra cerveja e vinho e azeitonas para o jantar
- Porque ontem nos deixou vadiar até tarde pela cidade
- Porque nos compra gomas
- Porque tem o carro sempre abastecido de “capri-sun’s”
- Porque quer lá saber quantos chocolates comemos por dia
- Porque não se chateia por sermos desarrumadas
- Porque podemos comer bolachas de manteiga escocesas até rebentar
- Porque nos compra cerveja e vinho e azeitonas para o jantar
- Porque ontem nos deixou vadiar até tarde pela cidade
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
A foto que mais temos pena de não ter tirado...
É ao banco de trás do nosso carro, antes de o termos entregue no aeroporto...
(mas uma das viajantes fica contente por se poder contar sempre com as fotos imaginárias)
(mas uma das viajantes fica contente por se poder contar sempre com as fotos imaginárias)
Utopias
Baked Beans. Ovos Estrelados. Torradas. Morcela. Salsicha. Cogumelos. Tomate.
Há viajantes que acham que um só pequeno-almoço não chega.
Deixámos Arran pela manhã e lentamente fomos começando a despedir-nos do “lado selvagem” da Escócia. As highlands foram ficando para trás e seguiam-se agora estradas mais ou menos planas. Sempre o mesmo verde intenso, sempre as mesmas (mas outras) ovelhas e vacas espalhadas pela paisagem, mas já sem os grandes vales e declives. A última paragem é New Lanark, uma vilazinha a cerca de 40 milhas de Edimburgo, considerada património da humanidade pela Unesco.
New Lanark é (ou foi) um projecto utópico de David Dale e Robert Owen, que em pleno século da Revolução Industrial, decidiram investir num nicho fabril que proporcionasse melhores condições de vida aos operários fabris. Sim, melhores condições de vida aos operários fabris durante a Revolução Industrial. Parece uma contradição não é? Construíram um complexo para a produção de algodão (produção essa suportada pela força da água e por um conjunto de poderosos moinhos) e retiraram cerca de 2500 trabalhadores pobres dos bairros degradados de Edimburgo e Glasgow.
De início a cada família era dado o direito de ter um quarto para si com camas para todos os membros (o que era visto na altura como um luxo para a classe operária), mas passados alguns anos as famílias maiores ganharam o direito a ocupar vários quartos. No final do século XIX já havia uma lâmpada eléctrica em todos os quartos. Ainda insatisfeito com o projecto Robert Owen investe também na educação das cerca de quinhentas crianças de Lanark e é pela aprendizagem que tenta passar mensagens de uma sociedade mais justa, mais equilibrada, mais saudável, baseada na cooperação de todos os indivíduos para o bem comum dessa sociedade. Hoje em dia New Lanark é um lugar deserto, parado no tempo, abandonado a um ideal quimérico, mas ao caminharem pelas suas ruas as viajantes não se deixam de perguntar: será possível, a sociedade perfeita? A sociedade justa?
Seguimos para Edimburgo e voltámos aos sinais de trânsito, às rotundas caóticas, aos muitos carros a quererem ir para todo o lado. É tempo de regressar ao aeroporto para entregar o carro.
Sim, está tudo bem. Sim, o homenzinho da europcar fez a inspecção e não disse nem ai nem ui. Sim, sobrevivemos a conduzir no lado errado da estrada. Uma das viajantes em determinada altura ia morrendo de coração quando outra das viajantes conduzia, mas como ela diz “às vezes os carros encolhem”.
Há viajantes que acham que um só pequeno-almoço não chega.
Deixámos Arran pela manhã e lentamente fomos começando a despedir-nos do “lado selvagem” da Escócia. As highlands foram ficando para trás e seguiam-se agora estradas mais ou menos planas. Sempre o mesmo verde intenso, sempre as mesmas (mas outras) ovelhas e vacas espalhadas pela paisagem, mas já sem os grandes vales e declives. A última paragem é New Lanark, uma vilazinha a cerca de 40 milhas de Edimburgo, considerada património da humanidade pela Unesco.
New Lanark é (ou foi) um projecto utópico de David Dale e Robert Owen, que em pleno século da Revolução Industrial, decidiram investir num nicho fabril que proporcionasse melhores condições de vida aos operários fabris. Sim, melhores condições de vida aos operários fabris durante a Revolução Industrial. Parece uma contradição não é? Construíram um complexo para a produção de algodão (produção essa suportada pela força da água e por um conjunto de poderosos moinhos) e retiraram cerca de 2500 trabalhadores pobres dos bairros degradados de Edimburgo e Glasgow.
De início a cada família era dado o direito de ter um quarto para si com camas para todos os membros (o que era visto na altura como um luxo para a classe operária), mas passados alguns anos as famílias maiores ganharam o direito a ocupar vários quartos. No final do século XIX já havia uma lâmpada eléctrica em todos os quartos. Ainda insatisfeito com o projecto Robert Owen investe também na educação das cerca de quinhentas crianças de Lanark e é pela aprendizagem que tenta passar mensagens de uma sociedade mais justa, mais equilibrada, mais saudável, baseada na cooperação de todos os indivíduos para o bem comum dessa sociedade. Hoje em dia New Lanark é um lugar deserto, parado no tempo, abandonado a um ideal quimérico, mas ao caminharem pelas suas ruas as viajantes não se deixam de perguntar: será possível, a sociedade perfeita? A sociedade justa?
Seguimos para Edimburgo e voltámos aos sinais de trânsito, às rotundas caóticas, aos muitos carros a quererem ir para todo o lado. É tempo de regressar ao aeroporto para entregar o carro.
Sim, está tudo bem. Sim, o homenzinho da europcar fez a inspecção e não disse nem ai nem ui. Sim, sobrevivemos a conduzir no lado errado da estrada. Uma das viajantes em determinada altura ia morrendo de coração quando outra das viajantes conduzia, mas como ela diz “às vezes os carros encolhem”.
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