À chegada à pousada de Inverness fomos recebidos por uma mulher com um copo de vinho na mão. Sim era a responsável pela pousada, sim, falava connosco ao mesmo tempo que bebia, e sim dava-nos todas as indicações necessárias enquanto se deliciava com essa bebida dos deuses. Uma grande bancada de garrafas vazias de todo o mundo fez uma das viajantes perguntar “e licor beirão, já terá provado?”. Ainda não tinha. Mais à noitinha provou e deixamos a primeira garrafa vazia de uma bebida portuguesa no meio de tantas outras. Também nos avisou (mais do que uma vez) que em Inverness os bares não deixavam entrar ninguém depois da meia-noite (mesmo que só fechassem às duas da manhã) e quando a deixávamos sorrindo e agradecendo a informação ela dizia bem-humorada “after don’t say I didn’t warn you”. Gostámos de Inverness. Gostámos de estar mesmo ao pé do castelo. E gostámos da vista da pousada, com grandes vidros sobre a cidade e o rio.
No hostel oferecemos o resto do nosso jantar a um columbiano que lá estava na sala e a reacção dele foi engraçada: ficou espantosamente contente. Achamos que nunca vimos ninguém ficar tão feliz por lhe terem oferecido “pasta”. Genuinamente. Além de ter adorado o jantar (a cozinheira é exímia) disse-nos que até tinha saído da sala por um bocado porque o cheiro da comida o estava a torturar. Dentro de dias ia voltar à Colômbia e estava a aproveitar para ver o que ainda não tinha visto desde que chegara a Londres em Janeiro. Nenhuma de nós sabe o nome do rapaz, mas todas temos a cara dele feliz e a sorrir e a comer avidamente o que lhe tínhamos oferecido. No fim queria à força toda lavar-nos a loiça, mas portuga que é portuga oferece com gosto e não quer nada em troca. Não deixámos =)
No dia seguinte fomos finalmente até ao grande lago, o tão conhecido, o tão famoso, o tão falado em todo o lado, Loch Ness. É um lago grande que impressiona sobretudo pelo sítio em que está situado, no meio das montanhas, das imponentes highlands que se erguem a toda a curva e contra-curva que vamos fazendo. A estrada percorre o lago lado a lado e vamos apreciando toda a sua dimensão. Há mais que espaço para lá viver um, dois ou mais monstros, o lago é grande, e apesar de não termos visto a Nessie gostamos de pensar que ainda pode viver por lá. As viajantes gostam de mundos em que ainda há espaço para monstros grandes e perigosos a viver em lagos misteriosos.
Urquarhat foi a próxima paragem. Um castelo construído à beira de Loch Ness de que hoje restam apenas ruínas. Intencionais. Para que depois de atacado mais nenhum clan que viesse se pudesse servir dele. Apesar de este ser turisticamente muito concorrido, ao longo da viagem vamos vendo vários castelos (ou ruínas deles) espalhados pelas margens de todos os Loch’s que a Escócia tem. Existem dois ou três que são a imagem “de marca” do país, mas muitos dos outros que vamos encontrando não ficam atrás em beleza e imponência. Apesar da história sangrenta do país não conseguimos deixar de imaginar como seria viver nesses bastiões estrategicamente erigidos e que literalmente ficam em paisagens saídas quase da nossa imaginação. O príncipe ficou com a princesa? O rei defendeu o povo? O guerreiro mais justo conseguiu a união dos clans?
Viajar pelas highlands é quase como viajar por um conto de fadas, daqueles que ouvíamos muito quando éramos pequenas
1 comentário:
estou sem palavras!
:)
simplesmente FANTÁSTICO!
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