“então, e este verão vais a algum lado?”
e depois já não conseguimos parar...
Ao principio as perguntas parecem inocentes, incapazes de ter um efeito físico na nossa vidinha diária, mas quando damos por nós já encheram as conversas de corredor e de varanda com possibilidades, com hipóteses de carros alugados, com preços de pousadas e custos de vida, com ferries velhos que se podem apanhar para ilhas, com datas em que se pode ou não se pode partir. Depois das perguntas, algumas respostas, e a resposta deste ano, deste Verão, é que vamos para a Escócia. Vamos para a Escócia e já falta pouco. Poucos dias, algumas horas, está quase quase. Quem nos manda perguntar?
A compra do bilhete oficializa a viagem. Queremos sempre ir a tantos lados e fazer tantos planos, mas até termos aquele e-mail de confirmação com o número da nossa reserva e o respectivo desconto bancário na nossa conta, tudo não passa de uma possibilidade. Com o bilhete passamos da fase do “queremos ir” para a do “vamos” e isso sabe bem. Aproveitam-se as promoções nos alugueres de carros (no que estariam eles a pensar quando ofereceram o “todos os condutores extra grátis”? grátis para quem? como é que raparigas que nunca conduziram no lado errado da estrada podem ser um bom cliente? :P) e estudam-se as horas de chegada e de partida. Temos tempo, temos muito tempo. E vamos conhecer um país novo.
Da net vêm os guias baratos, do país e das estradas do país, mas em vésperas da partida a sensação que fica é que nem sequer olhámos bem para eles. Talvez no avião haja tempo para ler sobre a história, sobre as características geográficas e climáticas, sobre os festivais e as festas. Daqui e dali fomos tirando pontos e sítios para parar e a partir daí fomos construindo uma espécie de roteiro. Sabemos que primeiro vamos para norte, depois para oeste, depois para sul e depois vamos estar de volta ao lugar de partida. No meio vão estar os castelos, os loch’s, as destilarias, as paisagens à Rob Roy, os kilts, as gaitas de foles, as ilhas e as pessoas. E já falta tão pouco.
Por isso e mais uma vez. As perguntas não são inocentes. Fazem nascer ideias, traçar planos, imaginar rotas. E fazem duas raparigas pegar na mochila e no saco de cama e ir passear para o país dos imortais =)
As viajantes voltam já.